O Sumiço dos Pardais!
João A. de Souza
Filho
Julho de 2026
Para onde foram os
pardais? Eles que ficavam discutindo, conversando e brigando na copa dos
arvoredos ao anoitecer, desapareceram. Sumiram das ruas e das praças do bairro
onde resido. Sumiram das redondezas.
Pararam com sua algazarra.
Andei pelo bairro para
ver se os encontrava mexendo em alguma bosta de cavalo, mas, não existem mais
cavalos puxando carroças no meu bairro. Foram proibidas de circular por aqui. Com
seus voos rasantes e desafiadores vinham se alimentar das migalhas nos pátios
e, ariscos, fugiam apressadamente. Alguns deles eram conhecidos meus, pois
sempre que eu sacudia a toalha com farelo de pão, eles estavam à espreita sobre
o muro do pátio, ávidos por comerem. Mas eles sumiram! A alegria do anoitecer,
enquanto se aninhavam na copa das árvores cessou.
Caminhando encontro o
João de Barro, gritando, em pares, enquanto constrói sua casa no alto dos
postes, sempre acompanhado de sua parceira. Os sabiás de peito amarelo,
escondidos às sombras das árvores – parecem que não gostam do sol, e seus
primos, os sabiás da praia com seu canto melodioso enchem o ar de melodias.
Vejo os canarinhos da
terra, as rolinhas, os pica-paus com seus gritos de felicidade por encontrarem
cupins nas árvores, ah! E os quero-queros sempre denunciando a presença de
alguém se aninhando debaixo do velho pé de manga. Os tico-ticos vão e voltam,
sempre com a mesma súplica: “tio-tio”, dizem eles do alto das árvores,
escondendo-se por entre as ramadas. E os bem-te-vis, sempre gritando, acusando
que me viram, também andam por aqui, mas os pardais sumiram! E os pintassilgos
e os beija-flores que sempre aparecem na primavera voam alegremente de flor em
flor. Ouço o grito dos carcarás à busca de presa, mas nada dos pardais. As
caturritas voam em bandos no bairro. Quem sabe são elas as culpadas!
Já sei. As aves foram
substituídas pelos “pardais” que multam nas ruas, avenidas e rodovias! Esses
nunca desaparecem e se tornaram a praga do século XXI. Não dormem!
Lembrei-me do que fez o
líder Mao na China em 1958: Ordenou que os chineses acabassem com os mosquitos,
ratos, moscas e pardais. Esses comiam sementes, frutas, grãos e eram os vilões
da baixa produtividade. 800 mil pardais foram mortos em três dias apenas em
Pequim. Resultado: Insetos predadores como os gafanhotos devastaram as enormes
plantações da China e trinta e seis milhões de pessoas morreram de fome no
período entre 1958-1962. Acabaram com os pardais, veio a fome.
Que voltem os pardais!
Afinal, governos ditatoriais nos veem apenas como um pardal que precisa ser
eliminado!
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