sexta-feira, 3 de julho de 2026

 


O Sumiço dos Pardais!

João A. de Souza Filho

Julho de 2026

Para onde foram os pardais? Eles que ficavam discutindo, conversando e brigando na copa dos arvoredos ao anoitecer, desapareceram. Sumiram das ruas e das praças do bairro onde resido.  Sumiram das redondezas. Pararam com sua algazarra.

Andei pelo bairro para ver se os encontrava mexendo em alguma bosta de cavalo, mas, não existem mais cavalos puxando carroças no meu bairro. Foram proibidas de circular por aqui. Com seus voos rasantes e desafiadores vinham se alimentar das migalhas nos pátios e, ariscos, fugiam apressadamente. Alguns deles eram conhecidos meus, pois sempre que eu sacudia a toalha com farelo de pão, eles estavam à espreita sobre o muro do pátio, ávidos por comerem. Mas eles sumiram! A alegria do anoitecer, enquanto se aninhavam na copa das árvores cessou.   

Caminhando encontro o João de Barro, gritando, em pares, enquanto constrói sua casa no alto dos postes, sempre acompanhado de sua parceira. Os sabiás de peito amarelo, escondidos às sombras das árvores – parecem que não gostam do sol, e seus primos, os sabiás da praia com seu canto melodioso enchem o ar de melodias.

Vejo os canarinhos da terra, as rolinhas, os pica-paus com seus gritos de felicidade por encontrarem cupins nas árvores, ah! E os quero-queros sempre denunciando a presença de alguém se aninhando debaixo do velho pé de manga. Os tico-ticos vão e voltam, sempre com a mesma súplica: “tio-tio”, dizem eles do alto das árvores, escondendo-se por entre as ramadas. E os bem-te-vis, sempre gritando, acusando que me viram, também andam por aqui, mas os pardais sumiram! E os pintassilgos e os beija-flores que sempre aparecem na primavera voam alegremente de flor em flor. Ouço o grito dos carcarás à busca de presa, mas nada dos pardais. As caturritas voam em bandos no bairro. Quem sabe são elas as culpadas!

Já sei. As aves foram substituídas pelos “pardais” que multam nas ruas, avenidas e rodovias! Esses nunca desaparecem e se tornaram a praga do século XXI. Não dormem!

Lembrei-me do que fez o líder Mao na China em 1958: Ordenou que os chineses acabassem com os mosquitos, ratos, moscas e pardais. Esses comiam sementes, frutas, grãos e eram os vilões da baixa produtividade. 800 mil pardais foram mortos em três dias apenas em Pequim. Resultado: Insetos predadores como os gafanhotos devastaram as enormes plantações da China e trinta e seis milhões de pessoas morreram de fome no período entre 1958-1962. Acabaram com os pardais, veio a fome.

Que voltem os pardais! Afinal, governos ditatoriais nos veem apenas como um pardal que precisa ser eliminado!

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